Brahms zen

          Qual o peso da autossugestão na percepção musical? Até que ponto o que vemos e sabemos de um maestro interfere no que ouvimos? Brahms(imagem) pode ser menos ou mais forte ou emocionante conforme o reja um jovem sanguíneo ou um velho sábio?

          As perguntas vêm da estranha experiência de ouvir outro dia a Primeira e a Segunda Sinfonias do bruxo de Hamburgo sem exaltação nem vibrato emocional, em concerto da Sinfônica Brasileira regida por Kurt Masur no Teatro Municipal do Rio.
         Já vamos pela vigésima sétima ou oitava visita do grande maestro alemão à orquestra onde conheceu sua mulher na década de 70. Masur começou com a OSB em 1970, num ciclo completo das Sinfonias de Beethoven, e já reincidia no ano seguinte – recém-nomeado diretor musical da Gewandhaus de Leipzig, onde ficou até 1996 – com a primeira integral das Sinfonias de Brahms que deu por aqui.
         Desde então, esteve no Brasil outras vezes também com a Gewandhaus e a Filarmônica de Nova York, que dirigiu de 1991 a 2002. Suas ligações permanentes na década de 2000 foram com a Filarmônica de Londres e a Orquestra Nacional da França.
          Minha companheira no concerto do outro dia é – acreditem – infensa a Brahms. Diz que não a toca! Ela me lembrou, por sinal, da pilhéria da plaqueta encontrada certa vez na sala de concertos de uma orquestra americana: “Pode entrar, sem risco de Brahms!”
Semanas atrás, eu me emocionei às lágrimas ouvindo a mesma OSB acompanhar uma pianista russa no Concerto nº 1 de Brahms: por mais que o ouça, parece que estou sempre fazendo contato pela primeira vez com esse maesltrom de sentimentos e emoções.

          As Sinfonias tendem a impressionar mais pela arquitetura portentosa e o ethos hercúleo, aqui e ali banhados em ternura melancólica ou alegria máscula. Mas a sensação de pureza quase branca que emanou das interpretações de Masur na sexta-feira me deixou embatucado.
          Será que por não esperar do regente vigor e drama – ele está com 83 anos – eu mesmo evacuei insensivelmente essas qualidades de sua interpretação? A musicalidade sem truques nem ostentação expressiva de Masur é que terá dado a impressão de que seguíamos um passo a passo de plena presença, mas timorato, sem progressão dramática? O velho leão estaria cansado e atento apenas ao momento?
          Depois de um Allegro inicial que, na Sinfonia nº 1, pareceu um pouco estrito e uneventful, o movimento lento foi moldado com sumarenta brandura, o terceiro (Un poco allegretto e graziozo) mostrou a calma exultação das madeiras e o Allegro final não podia ter sido cinzelado com mais maciça gravidade, com uma dinâmica forte que se poderia dizer germânica, cheia e sem medo, mas sem prejuízo dos contornos nem esquecendo o rebuscamento das contravozes. Um daqueles momentos em que a gente ouve a OSB se superando no rumor coletivo e nas nervuras individualizadas.
          A Segunda ganhou ainda mais em refinado burilamento, com um primeiro movimento luminoso e muscular e a prodigiosa expressividade do Allegretto grazioso, onde cada coisa saiu a seu tempo e lugar, com um acabamento, uma leveza e uma cursividade rítmica – uma vitalidade, em suma – que falavam de viver sem pensar nem programar.
          Obra de gênio impregnado de sabedoria contemplativa, mas o coração não bateu mais depressa. Onde o ardor e a expectação, o heroísmo anelante dessa música? Um Brahms quase zen, sem ansiedade mas sem palpitação, que me deixou sem argumentos com minha convidada.



Respostas às perguntas feitas por Clóvis Marques aos músicos da OSB sobre o trabalho com Kurt Masur, do spalla Pablo de Leon e da flautista Cláudia Nascimento:


Pablo de Leon

          Estou oficialmente na OSB desde o segundo semestre do ano passado. Anteriormente, era convidado ocasionalmente para spallar alguns programas que tinham solos. Toquei com o Masur somente no festival de Campos do Jordão em 2007, quando liderei a orquestra dos bolsistas.
          Ele se comunica de forma clara, direta e objetiva. Nos ensaios também não usava a partitura, pois todas aqueles milhares de informações que lá existem estão em sua cabeça… dando-lhe o direito de nos corrigir com precisão o que não vemos com a parte na nossa frente. Fazia isso de várias formas, cantando, regendo, dançando ou contando uma simples história.
          Um exemplo se deu quando os cellos tinham um tema belíssimo e o Masur disse que a linguagem usada para tocar deveria ser completamente diferente. “Eu quero sonhar e não acordar…Vocês estão falando alto, não me acordem do sonho!” Nesse momento, a música foi para outro nível, pois a textura e a cor do som mudaram completamente.
          Sei que a escolha do repertório se deu pelo grande caso de amor que o Masur tem pela OSB e pelo Rio de Janeiro. Aqui conheceu sua esposa e, segundo seu filho, que dividirá um programa pela primeira vez com o pai, é disso que trata esse repertório: amor!
Em relação às sinfonias de Brahms, aprendemos todos que não existem “detalhes” em um conjunto de obras de tamanha magnitude. Tudo é de relevante importância para que se receba essa enorme quantidade de informação que reflete todo tipo de sentimento humano.


Cláudia Nascimento

          Estou na OSB há dois anos e meio.
          Em 2007, participei de um concerto em que tocamos a Sinfonia nº 1 de Mahler, e foi muito emocionante. Eu já tivera a oportunidade de tocar com Masur uma outra vez no Festival de Campos do Jordão, em 2005.
          É muito interessante trabalhar com ele, pois vemos e sentimos a música. Mesmo se ele não falasse, ainda assim entenderíamos o que ele gostaria que fizéssemos. Ele foi exigente durante toda a semana, para que pudéssemos chegar a um resultado mais do que satisfatório.
          Tenho um exemplo algo engraçado: num dos meus solos, ele me pediu que tocasse mais expressivo, bonito, dizendo que naquele momento eu deveria me sentir a garota de Ipanema, andando pela praia quase que me exibindo. Claro que nesse momento a orquestra inteira riu. Ele é sempre muito espirituoso, usando muitos exemplos e metáforas do nosso país e da nossa cidade, como a beleza natural, o clima e a alegria que temos.
          Em poucos dias, ele nos fez entender como se deve tocar Brahms: com uma sonoridade intensa, frases longas muito expressivas, mas ao mesmo tempo com muita doçura. Com certeza nunca mais tocarei Brahms da mesma maneira.




fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/musica/brahms-zen/?ga=dtf

Gioachino Rossini

          Gioachino Antonio Rossini (Pésaro, 29 de fevereiro de 1792 — Passy, Paris, 13 de novembro de 1868) foi um compositor erudito italiano, muito popular em seu tempo, que criou 39 óperas, assim como diversos trabalhos para música sacra e música de câmara. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Il barbiere di Siviglia ("O Barbeiro de Sevilha"), La Cenerentola ("A Cinderela") e Guillaume Tell ("Guilherme Tell").



Biografia


          Gioachino Antonio Rossini nasceu numa família de músicos em Pesaro, cidade na costa do mar Adriático, na Itália. Seu pai, Giuseppe, era um trompista e inspector de matadouros, e sua mãe, Anna Guidarini, era uma cantora, filha de um padeiro. Os pais de Rossini começaram cedo sua educação musical, e aos seis anos de idade ele já tocava o triângulo na banda de seu pai.

Gioachino Rossini, circa 1815 (por Vincenzo Camuccini).(imagem)

          O pai de Rossini simpatizava com a Revolução Francesa, e deu as boas-vindas às tropas de Napoleão quando elas invadiram o norte da Itália. Isto tornou-se um problema quando os austríacos restauraram o antigo regime, em 1796. O pai de Rossini foi preso, e sua mãe o levou a Bolonha, onde ela passou a ganhar a vida como cantora nos diversos teatros da região da Romanha, onde seu pai eventualmente pode juntar-se a eles. Durante todo este tempo, Rossini frequentemente foi deixado sob os cuidados de sua avó, já idosa, que não podia controlar efetivamente o garoto.

          Após o retorno de seu pai, Rossini permaneceu em Bolonha, sob os cuidados de um talhante de porcos, enquanto seu pai tocava a trompa nas orquestras dos mesmos teatros em que Anna cantava. O garoto teve aulas de cravo por três anos com Giuseppe Prinetti, de Novara; este seu professor, que costumava tocar as escalas com apenas dois dedos. Paralelamente à sua profissão musical tinha um emprego como vendedor de bebidas alcoólicas, e uma propensão para adormecer de pé; tais qualidades tornaram-no objecto de ridicularização por parte de seu pupilo.


Educação


          Aos quatorze anos (idade que ele tinha no ano de 1806), Rossini inscreve-se no liceu musical da cidade e apaixona-se pelas composições de Haydn e Mozart, mostrando grande admiração pelas óperas de Cimarosa. Estuda violoncelo com Cavedagni no Conservatório de Bolonha. Em 1807 é admitido na classe de contraponto do padre Stanislao Mattei. Aprende a tocar violoncelo com facilidade, mas a pedante gravidade de Mattei nas suas opiniões sobre o contraponto só serviu para impulsionar o jovem compositor em direcção a uma escola de composição mais liberal. Sua visão sobre recursos orquestrais não é geralmente atribuída às regras de composição estritas que ele aprendeu com Mattei, mas aos conhecimentos adquiridos independentemente ao seguir as sinfonias e quartetos de Haydn e Mozart. Em Bolonha, ele era conhecido como "il Tedeschino" ( "o alemãozinho") por conta de sua devoção a Mozart.


Início de carreira


          Através da amigável interposição do Marquês Cavalli, a sua primeira ópera, La cambiale di matrimonio, foi produzida em Veneza quando ele era um jovem de apenas 18 anos. No entanto, dois anos antes, já tinha recebido o prémio no Conservatório de Bolonha para sua cantata Il pianto de Armonia sulla morte de Orfeo.

          Entre 1810 e 1813, em Bolonha, Roma, Veneza e Milão, Rossini seguiu produzindo óperas de sucesso variável. A memória destas obras foi suplantada pelo enorme sucesso de sua ópera Tancredi.

          O libreto foi uma adaptação feita por Gaetano Rossi da tragédia Tancrède de Voltaire. Vestígios de Ferdinando Paër e Giovanni Paisiello estão inegavelmente presentes em alguns fragmentos da música. Contudo, qualquer sentimento crítico por parte do público foi afogado pela apreciação de tais melodias como "Di tanti palpiti … Mi rivedrai, ti rivedrò", que se tornou tão popular que os italianos cantavam-na em multidões nos tribunais até que o juíz ordenasse que parassem.

          Rossini continuou a escrever óperas para Veneza e Milão durante os anos seguintes, mas a sua recepção era fria e, em alguns casos, insatisfatória após o sucesso de Tancredi. Em 1815 retira-se para a sua casa em Bolonha, onde Domenico Barbaia, o empresário do teatro de Nápoles, concluiu um acordo com ele para a tomar a direcção musical do Teatro San Carlo e do Teatro Del Fondo em Nápoles, escrevendo para cada um deles uma ópera por ano. Seu vencimento deveria ser 200 ducados por mês; a este valor juntar-se-ia uma parte dos lucros das mesas de jogo instaladas no ridotto do teatro, que se elevava a cerca de 1000 ducados por ano. Este era um acordo extremamente lucrativo para qualquer músico profissional nessa altura.

          Alguns compositores mais velhos, em Nápoles, nomeadamente Zingarelli e Paisiello, estavam inclinados à intriga contra o sucesso do jovem compositor, mas toda essa hostilidade foi fútil face ao entusiasmo com que foi recebida a execução na corte de Elisabetta, regina d'Inghilterra, na qual Isabella Colbran, que posteriormente se tornou a esposa do compositor, desempenhou um papel principal. O libreto da ópera feito por Giovanni Schmidt, foi em muitos aspectos uma antecipação do que seria apresentado ao mundo alguns anos mais tarde, em Kenilworth de Sir Walter Scott. Esta ópera foi a primeira em que Rossini escreveu os ornamentos das árias em vez de deixá-los a cargo dos cantores, e também a primeira em que o recitativo secco foi substituído por um recitativo acompanhado de um quarteto de cordas.


O Barbeiro de Sevilha (Il barbiere di Siviglia)


          A sua mais famosa ópera foi apresentada em 20 de Fevereiro de 1816, no Teatro Argentina, em Roma. O libreto de Cesare Sterbini, uma versão da polémica peça de Beaumarchais, Le Barbier de Séville, era o mesmo que havia sido utilizado por Giovanni Paisiello no seu próprio Barbiere, uma ópera que tinha se beneficiado de popularidade na Europa durante mais de um quarto de século. Mais tarde, Rossini afirmou ter escrito a ópera em apenas doze dias. Foi um estrondoso fracasso quando fez a sua estreia como Almaviva; os admiradores de Paisiello ficaram extremamente indignados, sabotando a produção assobiando e gritando durante todo o primeiro acto. Contudo, pouco tempo depois da segunda apresentação, a ópera tornou-se tão bem sucedida que a fama da ópera de Paisiello foi transferida para a de Rossini, para quem o título O Barbeiro de Sevilha passou como um patrimônio inalienável.


 Casamento e meados de carreira


          Entre 1815 e 1823 Rossini produziu 20 óperas. Destas, Otello foi o clímax da sua reforma da ópera séria, e oferece um sugestivo contraste com o tratamento do mesmo assunto numa altura semelhante de desenvolvimento artístico pelo compositor Giuseppe Verdi. No tempo de Rossini o desfecho trágico foi tão mal recebido pelo público que tornou-se necessário inventar um final feliz para Otello.

          As condições de produção em palco em 1817 são ilustradas pela aceitação por Rossini do tema da Cinderela para um libreto apenas na condição de que o elemento sobrenatural fosse omitido. A ópera La Cenerentola foi tão bem sucedida como Il Barbiere. A ausência de uma precaução semelhante na construção de sua Mosè in Egitto levou ao desastre na cena que retrata a passagem dos israelitas através do Mar Vermelho, na qual os defeitos nos mecanismos de palco sempre suscitavam uma gargalhada geral, de tal modo que, após algum tempo, o compositor foi obrigado a introduzir o coro "Dal tuo stellato Soglio" para desviar a atenção da partição das ondas.

          Em 1822, quatro anos após a elaboração deste trabalho, Rossini casou com a soprano Isabella Colbran. No mesmo ano, dirigiu a sua Cenerentola em Viena, onde Zelmira também foi apresentado. Após isto, voltou a Bolonha; contudo um convite do príncipe Metternich para ir a Verona e "auxiliar no restabelecimento da harmonia" era muito tentador para ser recusado; ele chegou ao Congresso em tempo útil para a sua abertura em 20 de Outubro de 1822. Aqui fez amizade com Chateaubriand e Dorothea Lieven.

          Em 1823, por sugestão do gerente do King's Theatre, em Londres, foi para Inglaterra, sendo muito festejado na sua passagem por Paris. Em Inglaterra, foi agraciado com um generoso acolhimento, que incluiu ser apresentado ao Rei Jorge IV e a recepção de £7000 após uma permanência de cinco meses. Em 1824 tornou-se director do Théâtre italien de Paris em Paris, com um salário de £800 por ano, e quando o acordo chegou ao fim, foi recompensado com o gabinete de Compositor Chefe do Rei e Inspector-Geral da Canção em França, cargo a que foi anexado o mesmo rendimento. Com a idade de 32, Rossini entrou em semi-aposentadoria, com independência financeira.


 Fim de carreira


          A produção de seu Guilherme Tell em 1829 marca o final da sua carreira como escritor de óperas. O libreto foi escrito por Étienne Jouy e Hippolyte Bis, e posteriormente revisto por Armand Marrast. A música é notável pela sua liberdade relativamente às convenções descobertas e utilizadas por Rossini nas suas obras anteriores, e marca uma fase de transição na história da ópera. Embora seja uma boa ópera, hoje em dia raramente é ouvida na íntegra, pois a sua versão original tem uma duração superior a quatro horas.

          Em 1829 Rossini voltou para Bolonha. Sua mãe tinha morrido em 1827, e ele estava ansioso por estar com seu pai. Diligências com vista ao seu regresso a Paris, com um novo acordo, foram afectadas pela abdicação de Carlos X e pela Revolução de Julho de 1830. Rossini, que considerava o tema de Fausto para uma nova ópera, regressou a Paris em Novembro daquele ano.

        Seis movimentos do seu Stabat Mater foram escritos em 1832 e os restantes em 1839, o ano da morte de seu pai. O sucesso desta obra é comparável com os seus sucessos em óperas; mas seu comparativo silêncio durante o período de 1832 até sua morte em 1868 faz sua biografia parecer quase a narrativa de duas vidas - uma vida de rápido triunfo, e a longa vida de reclusão, da qual os biógrafos nos dão imagens na forma de histórias da sagacidade cínica do compositor, as suas especulações na cultura de peixes, a sua máscara de humildade e indiferença.


Últimos anos


          Sua primeira esposa morreu em 1845, e em 16 de Agosto de 1846, ele casou com Olympe Pélissier, que havia posado para Vernet no seu quadro de Judite e Holofernes. Distúrbios políticos levaram Rossini a abandonar Bolonha, em 1848. Depois de viver durante um tempo em Florença, instalou-se em Paris em 1855, onde sua casa era um centro da sociedade artística. Ele morreu em sua casa de campo em Passy numa sexta-feira, 13 de Novembro de 1868 e foi sepultado no cemitério Père Lachaise, em Paris, França. Em 1887, os seus restos mortais foram transferidos para a Basílica da Santa Cruz, em Florença, onde agora repousam.

Notas


          Em suas composições, Rossini plagiarizava livremente as suas próprias obras, prática comum entre os compositores de ópera desta época sujeitos à pressão dos prazos. Poucas das suas óperas são isentas de tais adições, introduzidas na forma de árias ou aberturas.

          Por exemplo, na Il Barbiere existe uma ária parea o Conde (frequentemente omitida) 'Cessa di piu resistere' , que Rossini utilizou (com pequenas alterações) em Le Nozze di Teti e di Peleo e em La Cenerentola (a cabaletta para o rondó de Angelina é quase inalterado).

          Um maneirismo característico nas suas orquestrações, um longo e estável crescendo de som, deu-lhe o alcunha de "Signor Crescendo".


 Apreciação de sua obra pelos críticos


          Segundo parece, Wagner não tinha lá uma opinião muito lisonjeira de Rossini: "Foi um fabricante extraordinariamente hábil de flores artificiais, que fazia de veludo e de seda e que pintava com cores enganadoras." Mas o crítico brasileiro Moreira de Sá acrescenta: "Essas flores são as melodias acariciadoras e sensuais que constituem a principal substância das óperas de Rossini, e para as quais a letra é mero pretexto". Para fazer idéia da indiferença pela verdade dramática basta isto: a cavatina de tenor Ecco ridente in cielo no primeiro ato do Barbeiro de Sevilha tinha sido primeiramente escrita para Ciro in Babilonia, e transferida depois para Aureliano in Palmira, na saudação à deusa Ísis, Sposa del grande Osiride; de sorte que a mesma música foi julgada própria para ser cantada por um rei persa na antiga capital de Nabucodonosor, por um imperador romano numa cidade da Síria, e por um conde enamorado da Andaluzia. Igualmente curiosa é a história da abertura dessa mesma ópera; serviu para Aureliano in Palmira e depois para Elisabetta, Regina d'Inghilterra. Parece que a mesma música era própria para exprimir o conflito do amor e do orgulho de uma das mais altivas damas de que reza a história e as manhas do esperto Fígaro, ou os sentimentos da graciosa Rosina e do sentimental Almaviva.

          Outros exemplos de "reciclagem" rossiniana: a abertura de La Cenerentola havia sido composta inicialmente para uma outra ópera, La Gazzetta. Maometto II teve seu material musical totalmente reciclado e foi transformada noutra ópera, L'Assedio di Corinto.

          Estas e outras incoerências eram uma das pechas da ópera italiana. O predomínio absoluto da melodia não só deleitava o público, mas também fazia brilhar exímios vocalizadores que, naquela época de predileta coloratura, gostavam de encher de ornatos as árias, cavatinas, cabaletas e rondós. Rossini tentou coibir esses abusos, escrevendo ele próprio floreios mais artísticos e harmoniosos com o estilo da melodia. Conta-se que em certa ocasião Adelina Patti cantou para Rossini Una voce poco fa (de O Barbeiro de Sevilha) tão sobrecarregada de ornamentos que a reação do maestro foi: "Bela ária. Quem é o autor?"

          Mas, apesar de tudo, a reputação de Rossini como autor de óperas cômicas permanece indestrutível. Suas óperas ainda hoje são uma das principais colunas de sustentação do repertório de teatros de ópera do mundo inteiro. Além de O Barbeiro de Sevilha, A Italiana na Algéria, O Turco na Itália e La Cenerentola (adapatação operística feita por Rossini da imortal história da Cinderela) estão entre as mais populares. As qualidades que são geralmente reconhecidas nele são: espontaneidade, versatilidade, brio, animação, clareza de plano, idéias melódicas elegantes, quentes e abundantes.


 Obras de Rossini

Óperas

Entre parênteses estão o lugar e data da primeira representação

La cambiale di matrimonio (Teatro San Moisè, Veneza, 3 de novembro de 1810)
L'equivoco stravagante (Teatro del Corso, Bolonha, 26 de outubro de 1811)
L'inganno felice (Teatro San Moisè, Veneza 8 de janeiro de 1812)
Ciro in Babilonia, o sia La caduta di Baldassare (Teatro Comunal, Ferrara, 14 de março de 1812)
La scala di seta (Teatro San Moisè, Veneza, 9 de maio de 1812)
Demetrio e Polibio (Teatro Valle, Roma, 18 de maio de 1812)
La pietra del paragone (Teatro alla Scala, Milão, 26 de setembro de 1812)
L'occasione fa il ladro, ossia Il cambio della valigia (Teatro San Moisè, Veneza, 24 de novembro de 1812)
Il signor Bruschino, ossia Il figlio per azzardo]] (Teatro San Moisè, Veneza, 27 de janeiro de 1813)
Tancredi (Teatro La Fenice, Veneza, 6 de fevereiro de 1813)
L'Italiana in Algeri (Teatro San Benedetto, Veneza, 22 de maio de 1813)
Aureliano in Palmira (Teatro alla Scala, Milão, 26 de dezembro de 1813)
Il Turco in Italia (Teatro alla Scala, Milão, 14 de agosto de 1814)
Sigismondo (Teatro La Fenice, Veneza, 26 de dezembro de 1814)
Elisabetta, regina d'Inghilterra (Teatro San Carlo, Nápoles, 4 de outubro de 1815)
Torvaldo e Dorliska (Teatro Valle, Roma 26 de dezembro de 1815)
Il barbiere di Siviglia, Almaviva, ossia l'inutile precauzione (Teatro Argentina, Roma, 20 de fevereiro de 1816)
La gazzetta
(Teatro de' Fiorentini, Nápoles, 26 de setembro de 1816)
Otello, ossia Il moro di Venezia (Teatro del Fondo, Nápoles, 4 de dezembro de 1816)
La Cenerentola, ossia La bontà in trionfo (Teatro Valle, Roma, 25 de janeiro de 1817)
La gazza ladra (Teatro alla Scala, Milão, 31 de maio de 1817)
Armida (Teatro San Carlo, Nápoles, 11 de novembro de 1817)
Adelaide di Borgogna (Teatro Argentina, Roma, 27 de dezembro de 1817)
Mosè in Egitto (Teatro San Carlo, Nápoles, 5 de março de 1818)
Adina, ossia Il Califfo di Bagdad (Teatro Real São Carlos, Lisboa, 22 de junho de 1826, composta em 1818)
Ricciardo e Zoraide (Teatro San Carlo, Nápoles, 3 de dezembro de 1818)
Ermione (Teatro San Carlo, Nápoles, 27 de março de 1819)
Eduardo e Cristina (Teatro San Benedetto, Veneza, 24 de abril de 1819)
La donna del lago (Teatro San Carlo, Nápoles, 24 de outubro de 1819)
Bianca e Falliero, o sia Il consiglio dei Tre (Teatro alla Scala, Milão, 26 de dezembro de 1819)
Maometto secondo (Teatro San Carlo, Nápoles, 3 de dezembro de 1820)
Matilde di Shabran, o sia Bellezza e cuor di ferro (Teatro Apollo, Roma , 24 de fevereiro de 1821)
Zelmira (Teatro San Carlo, Nápoles, 16 de dezembro de 1822)
Semiramide (Teatro La Fenice, Veneza, 3 de fevereiro de 1823)
Il viaggio a Reims, ossia L'albergo del giglio d'oro (Teatro dos Italianos, Paris, 19 de junho de 1825)
Ivanhoé (Teatro de l'Odéon, Paris, 15 de setembro 1826)
Le siège de Corinthe - rifacimento di Maometto secondo (Teatro dell'Accademia Reale di Musica, Paris, 9 de outubro de 1826)
Moïse et Pharaon, ou Le passage de la Mer Rouge - rifacimento di Mosè in Egitto (Teatro dell'Accademia Reale di Musica, Paris, 26 de março de 1827)
Le Comte Ory (Teatro dell'Accademia Reale di Musica, Paris, 20 de agosto de 1828)
Guillaume Tell (Teatro dell'Accademia Reale di Musica, Paris, 3 de agosto de 1829)
Robert Bruce - pastiche su musiche di Rossini (Teatro dell'Accademia Reale di Musica, Paris3 de dezembro de 1846)

Cantatas

Il pianto de armonia sulla morte di Orfeo
La morte di Didone
Dalle quete E pallid'ombre
Egle edição Irene
L'aurora
Le nozze di Teti E di Peleo
Omaggio umiliato
Cantata ... 9 maggio 1819
La riconoscenza
Giunone
La santa alleanza
Il vero omaggio
Omaggio pastorale
Il pianto DELLE muse eu morte di Lord Byron
Cantata PER IL battesimo do figlio do banchiere Aguado
L'armonica cetra do nune
Giovanna de Arco
Cantata em onore do sommo pontefico Pio IX


Música Instrumental

Sei sonate um quattro
Sinfonia "Al conventello"
Cinque duetos para Cor
Sinfonia
Sinfonia
Sinfonia
Variazzioni di clarinetto
E Andante tema com variazioni
E Andante tema com variazioni por arpa e violino
Passo doppio
Valse
Serenata
Duetto para Violoncelo E Contrabasso
Rendez
Fantaisie
Trois marchas militaires
Scherzo
Tema originale di Rossini variato por violino Marcia
Thème de Rossini suivi de duas variações e coda par Moscheles père
La corona de Itália


Música Sacra

Quoniam
Messa di gloria
Preghiera
Tantum ergonômica
Stabat materiais
Trois choeurs religieux
Tantum ergonômica
O salutaris hostia
Laus deo
Petite Messe Solennelle


Música vocal secular

Se il vuol la molinara
Dolce aurette che spirate
La mia ritmo io - già perdei
Qual voce, quai nota
Alla voce della gloria
Amore mi assisti
Il trovatore
Il carnevale di Venezia
Belta crudele
La pastorella
Canzonetta spagnuola
Infelice ch'io filho
Addio ai viennesi
Dall'oriente l'astro do giorno
Ridiamo, cantiamo, che tutto sen vbis
Em giorno si bello
Tre quartetti da câmera
Les adieux em Roma
Orage e namorado tempo
La passeggiata
La dichiarazione
Les soirées musicales
Deux nocturnes
Nizza
L'âme délaissée
Francesca da Rimini
Mi lagnero tacendo


Péchés de vieillesse
 
Vol I álbum italiano
Vol II álbum français
Vol III Morceaux réservés
Vol IV Quatre hors de œuvres e quatro mendiants
Vol V Album para os adolescentes enfants
Vol VI Álbum para os enfants dégourdis
Vol VII Álbum de chaumière
Vol VIII Álbum de château
Vol IX Álbum para um piano, violon, violoncelo, harmonium e Cor
Vol X Miscellanée para um piano
Vol XI Miscellanée de musique vocale
Vol XII Quelques riens para álbum
Vol XIII Musique anodine






fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gioachino_Rossini 

2º Festival Met Opera




          No dia 13 de agosto, entrará em cartaz a segunda edição do Festival Met Opera, que, até o dia 19 de agosto, irá reapresentar nos cinemas sete montagens da temporada 2009/10 do Metropolitan Opera House de Nova Iorque. O Opinião e Notícia vai sortear cinco pares de ingressos para o evento.

          As produções selecionadas são “Aida” e “Simon Boccanegra”, de Giuseppe Verdi; “Tosca” e “Turandot”, de Giacomo Puccini; “Os Contos de Hoffmann”, de Jacques Offenbach; “Carmen”, de Georges Bizet; e “Hamlet”, de Ambroise Thomas. O evento acontecerá nas seguintes cidades:RJ, SP, Brasília, Belo Horizonte, Campinas, Porto Alegre e Curitiba

          O sorteio acontecerá no dia 2 de agosto. Os ingressos serão válidos para qualquer Ópera em qualquer dia de temporada. Para participar, basta preencher o formulário abaixo.

Leia o regulamento completo aqui.




fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/leitor/2º-festival-met-opera-2/?ga=dtf