Rossini para o Brasil



Largo al factotum - Thomas Hampson

 


          Um Barbeiro de Sevilha realmente cômico, visualmente fascinante e vocal e musicalmente atraente marcou no fim da semana passada a estreia, em Belo Horizonte, da primeira temporada da Cia. Brasileira de Ópera criada por John Neschling para percorrer o país, revitalizando um pouco um panorama lírico que anda meio parado.

          A ideia ocorreu ao maestro depois de deixar em 2009 a Orquestra Sinfônica de São Paulo, num momento em que, com o fechamento dos teatros municipais do Rio e de São Paulo para obras e uma série de outras circunstâncias pouco propícias, a vida operística nacional se arrasta tão acanhada, com as exceções de praxe (Manaus), que os cantores brasileiros que podem estão optando por deixar o país.

          Com sua primeira produção, que inova ao integrar um elaborado fundo de desenho animado ao dispositivo cênico, a Cia. Brasileira percorrerá até novembro quatorze outras cidades, com uma trupe de algo em torno de 200 artistas e técnicos. Depois da capital mineira, será a vez de Porto Alegre entre 30 de junho e 4 de julho, vindo depois Florianópolis, Curitiba, Manaus, Belém, João Pessoa, Brasília, Aracaju, Salvador, Recife, Santos, São Paulo, Ribeirão Preto e por fim o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, de 24 a 28 de novembro.

          A estreia quinta-feira passada no Palácio das Artes mineiro mostrou uma orquestra trabalhada com esmero por Neschling, apesar do tamanho um pouco desproporcional do espaço, para as dimensões rossinianas. No elenco, homogêneo sem brilho particular, destacavam-se o Conde Almaviva de Luciano Botelho, caprichoso nas vocalises, e a Rosina de Anna Pennisi, de timbre atraente e agudo límpido, além dos intérpretes dos personagens mais caracteristicamente cômicos, em especial o Basílio sonoro de Gianluca Breda.

          Do Fígaro de Leonardo Neiva, um dos cantores mais estimáveis da nova geração brasileira, fiquei com a impressão – depois de seu maravilhoso Ford no Falstaff de Verdi regido por Isaac Karabtchevsky na Osesp ano passado – que Rossini ainda pode ser aperfeiçoado em suas cordas e sua fibra de intérprete, por falta de uma certa cultura da ornamentação e do temperamento vocal próprio dessa música.

          A grande secação da montagem é a encenação, em que Pier Francesco Maestrini se vale da animação trabalhada com humor e incrível senso de timing por Joshua Held, colado na partitura e na movimentação dos intérpretes. Os cantores-atores interagem com o cenário e suas próprias personas e outras representações em versão animada. Os achados cômicos e de movimentação assim explorados, assim como a graça dos figurinos de Lorenzo Merlino, a beleza das cores e do traço de Held e o espírito de farsa inocente e despudorada encantam o tempo todo.

          Para o meu gosto, a movimentação visual distraiu um pouco mais que o desejável da música e da peripécia propriamente cênica. Mas além de facilitar o deslocamento da companhia Brasil afora, a ideia da animação é não só uma inovação que vai atrair novos públicos, como foi criada e posta em prática com deliciosa imaginação. Nas entrevistas, Neschling insiste em que não se trata de “popularizar” a ópera, o que teria uma conotação de nivelamento massificante, mas de “democratizar” o acesso. Saí do Palácio das Artes achando que as duas coisas estarão em pauta nessas quinze cidades brasileiras.


 Ficha técnica referente às etapas 1 e 2 da turnê.
 Cia. Brasileira de Ópera


José Roberto Walker
Direção Executiva

John Neschling
Direção Artística

Píer Francesco Maestrini
Concepção e Direção de Cena

Carlo Savi
Concepção Cenográfica

Abel Rocha
Diretor de Voz / Maestro Residente

Victor Hugo Toro
Diretor Artístico Assistente / Maestro Residente

Walter Neiva
Diretor de Cena Residente

Mauro Wrona
Diretor de Cena Residente

Lorenzo Merlino
Produção de Figurinos

Divina Suarez
Maquiagem e Perucas

Renato Theobaldo
Realização de Cenografia

Silvio Galvão
Realização de Adereços

Ana Helena Lefèvre
Produção

Equipe da etapa 1

– Belo Horizonte
– Porto Alegre

Cantores

Alessia Sparacio (Personagem: Rosina/Berta)

Anna Pennisi (Personagem: Rosina)

Emidio Guidotti (Personagem: Basílio)

Federico Lepre (Personagem: Conde d´Almaviva)

Federico Sanguinetti (Personagem: Fígaro)

Gianluca Breda (Personagem: Basílio)

Guilherme Rosa (Personagem: Fiorello / Ufficiale)

Luciano Botelho (Personagem: Conde d´Almaviva)

Luísa Kurtz (Personagem: Berta)

Pepes do Valle (Personagem: Bartolo)

Sebastião Teixeira (Personagem: Fígaro)

Leonardo Neiva (Personagem: Fígaro)

Orquestra

Evgueni Ratchev
Músico- Violinista spalla

Ricardo Menezes
Músico- Violinista

Willian Isaak
Músico- Violinista

Helena Imasato
Musicista- Violinista

Francisco Krug
Músico- Violinista

André Tai
Músico – Violinista

Yerko Tabilo
Músico- Violinista

David Gama
Músico- Violinista

Afonso Barros
Músico- Violinista

Matheus Souza
Músico- Violinista

Fábio Brucoli
Músico- Violinista

José Carlos Santos
Músico- Violista

Samuel Galvez
Músico- Violista

Natanael Fonseca
Músico- Violista

André Rodrigues
Músico- Violista

Ana Maria Chamorro
Musicista- Violoncelista

Mauro Brucoli
Músico- Violoncelista

Marcus Ribeiro
Músico- Violoncelista

Sérgio Oliveira
Músico-Contrabaixista

Waldir Bertipaglia
Músico- Contrabaixista

Marcelo Barboza
Músico- Flautista

Javier Balbinder
Músico- Oboísta

Marisa Takano Lui
Musicista- Clarinetista

Otinilo Pacheco
Músico- Clarinetista

Marcus Fokin
Músico- Fagotista

Stanislav Shulz
Músico -Trompista

Mário Rocha
Músico- Trompista

Marcos Motta
Músico- Trompetista

Carlos Morejano
Músico- Pianista

Paulo Almeida
Músico Pianista

Etapa 2
- Florianópolis
- Curitiba
- Manaus
- Belém

Cantores

Alessia Sparacio (Personagem: Rosina/Berta)

Emidio Guidotti (Personagem: Basílio)

Federico Lepre (Personagem: Conde d´Almaviva)

Federico Sanguinetti (Personagem: Fígaro)

Carlos Eduardo Marcos (Personagem: Basílio)

Edna D´Oliveira (Personagem: Berta)

Guilherme Rosa (Personagem: Fiorello/Ufficiale)

André Vidal (Personagem: Conde d´Almaviva)

Anna Smiech (Personagem: Berta)

Manuel Alvarez (Personagem: Bartolo)

Leonardo Neiva (Personagem: Fígaro)

Orquestra

Willian Isaak
Músico- Violinista

Helena Imasato
Musicista- Violinista

Paulo Vieira
Músico- Violinista

João Meneses
Músico- Violinista

Francisco Krug
Músico- Violinista

André Tai
Músico – Violinista

David Gama
Músico- Violinista

Felipe Prazeres
Músico-Violinista

Caroline Bismarchi
Músico- Violinista

Helena Picazio
Músico-Violinista

Angelo Del Horto
Músico- Violinista

Samuel Galvez
Músico- Violista

Eric Liciardi
Músico- Violista

André Rodrigues
Músico- Violista

Bruno de Luna
Músico- Violista

Fred Pot
Músico- Violoncelista

Sanderson Paz
Músico-Contrabaixista

Lucas Robato
Músico- Flautista

Pedro Robato
Músico- Clarinetista

Waldir Bertipaglia
Músico- Contrabaixista

Sérgio Wontroba
Músico- Clarinetista

Javier Balbinder
Músico- Oboísta

Marisa Takano Lui
Musicista- Clarinetista

Josely Robato
Musicista- Trompista

Marcus Fokin
Músico- Fagotista

Wellington Luis
Músico- Trompista

Heiz Schwebel
Músico- Trompetista

Carlos Morejano
Músico- Pianista

Paulo Almeida
Músico Pianista





Edição: Clóvis Marques






Sonata Op. 10 n. 2 - Beethoven



Sonata Op. 10 número 2

Essa sonata, também dedicada a condessa von Browne , também tem três movimentos. Sonata leve, mas cheia de nuances.


Beethoven Sonata Opus 10 No. 2 - 1° Movimento



Beethoven Sonata Opus 10 No. 2 - 2° Movimento


Beethoven Sonata Opus 10 No. 2 - 3° Movimento




Allegro: Primeiro movimento.

          O primeiro movimento, Beethoven inicia o primeiro tema de uma maneira interessante. A primeira parte do tema é meio misteriosa, meio relutante, onde as pausas criam a expectativa inicial. Já na segunda parte do tema Beethoven "relaxa" mais e nos dá uma melodia ascendente e sincopada, acompanhada de acordes. A música fica "presa" no início, devido às pausas e às constantes repetições de ideias contrárias. Somente no compasso 18, Beethoven deixa a música mais fluente, com o acompanhamento de semicolcheias na mão esquerda. A Coda da exposição traz o humor, sempre presente na música de Beethoven. Aqui, a técnica das "mãos cruzadas" faz com que a melodia se alterne entre o bem agudo e o bem grave, sempre acompanhada pela "turbulência das semicolcheias da mão esquerda. E exposição termina com três oitavas secas. No desenvolvimento, a parte mais bonita desse movimento, Beethoven explora fragmentos dos temas, e cria uma melodia completamente nova. A sessão de oitavas quebradas intensifica a tensão natural de um desenvolvimento, onde a modulação é de praxe. Depois de alternar o motivo entre as duas mãos, Beethoven dissipa a tensão num diminuindo de quatro compassos até uma grande pausa com [fermata]. O que se segue depois é muito interessante…

          Todos esperam a volta do primeiro tema, e por consequência o início da recapitulação, o que realmente acontece, sai que de uma maneira inesperada! A sonata é em fá maior, e nada mais natural que depois do desenvolvimento cheio de tensão, a recapitulação aconteça com o tema em fá maior. Neste caso Beethoven traz o primeiro tema em Ré' Maior. E vai em frente como se nada tivesse acontecido, como se a sonata fosse realmente em Ré maior. Depois de concluir o primeiro tema inteirinho, Beethoven "para a música" e finalmente reapresenta o tema em sol menor, modulando até fá maior de novo. Ou seja, o ouvinte não sabe se a parte em ré maior já é a recapitulação ou ainda faz parte do desenvolvimento! O restante do movimento segue normalmente, sem muitas surpresas.


Allegretto: Segundo movimento.

          O segundo movimento possui um clima de mistério, com as duas mãos tocando as mesmas notas na abertura. O movimento inteiro é predominantemente piano, com pouquíssimas partes fortes. Todavia, os acentos, tão característicos em Beethoven, aparecem em abundância, deslocando a métrica com ênfase nos terceiros tempos dos compassos. A dificuldade é manter o controle e solidez, sem se deixar influenciar muito pelas constantes mudanças e melodias que aparecem. O movimento termina bruscamente, com dois acordes secos.


Presto: Terceiro movimento.

          O terceiro movimento e' um dos prestos mais charmosos de Beethoven. E olhe que Beethoven não compôs nenhum "terceiro movimento" que seja mediano, podem notar que todos são geniais, de concertos a sonatas, passando por música de câmara e sinfonias. Nesse terceiro movimento, o tema é simples, com as notas repetidas criando um ritmo muito envolvente. O segredo aqui é não tocá-lo rápido demais, o que faria perder todo o charme. As dificuldades técnicas são constantes, desde sequências longas de oitavas quebradas até passagens em contraponto. A energia vai do início ao fim, sem tempo para respirar.


Sobre a obra:


Apelido: Nenhum
Forma:
Tonalidade: Compasso - Fá maior - 2/4
Movimentos: 3
Data da composição: 1795-8
Número da composição: Op. 10 nº 1

Andamentos

Primeiro Movimento: Allegro
Segundo Movimento: Allegretto
Terceiro Movimento: Presto




fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonata_Op._10_n._2_(Beethoven) 

Sonata Op. 10 n° 1 - Beethoven



Sonata Op. 10 número 1

          Sonata para piano Nº 5, em Dó menor, opus 10, nº 1 de Beethoven, escrita em c.1796, é a quinta sonata que Beethoven compôs. Publicada em Viena, em 1798 é uma composição curta, em três movimentos. Próxima à Sonata Pathétique, com o primeiro e o último movimento em Dó menor, ambas possuem o espírito tempestuoso e apaixonado que se associa a esta tonalidade; assim como ambas possuem o segundo movimento mais longo; este em Lá bemol maior, e como na Pathétique mantendo um andamento muito calmo, profundo e ricamente orquestrado; e a semelhança do finale em ambas com as pausas repentinas, além de uma textura pianística cheia. É em tonalidade e nas marcações do tempo que elas se parecem mais, e não ao material temático. Esta sonata e as outras duas que seguem do opus 10 são dedicadas à condessa Anna Margarete von Browne, cujo esposo, o Conde Johann Georg von Browne, era o principal cliente de Beethoven durante os anos de 1797 a 1803.


Barenboim on Beethoven, sonata no.5, op.10 no.1 (part 1 of 2)


Barenboim on Beethoven, sonata no.5, op.10 no.1 (part 2 of 2)





Allegro molto e com brio: Primeiro movimento.


          O primeiro movimento, Allegro molto e con brio, tem no tema principal uma mistura de energia com hesitação. As frases são muito curtas, e o material temático num primeiro momento parece ser errático e sem conexão. Um acorde para definir a tonalidade de dó menor inicia o movimento, seguido de um arpejo quebrado com notas pontuadas. Depois acordes em piano. O primeiro movimento inicia com o que se pode chamar de fragmentos. É verdade que esses mesmos fragmentos vão formar o desenvolvimento da sonata. O segundo tema é a parte mais consistente e melódica desse primeiro movimento, que se acaba de uma maneira bem Beethoveniana, com um diminuindo na parte grave do piano e dois acordes súbitos em fortíssimo, como que acordando o ouvinte.


Adagio molto: Segundo movimento.


          O segundo movimento, Adagio molto, em Lá bemol maior traz algumas características do primeiro, como a ênfase em motivos com notas pontuadas e frases curtas. A dificuldade vem na execução dos ornamentos e passagens "improvisadas". Beethoven, grande improvisador, usa de seu talento para criar melodias novas dentro da estrutura de frases curtas desse movimento.


Prestissimo: Terceiro movimento.


          O movimento final, Finale Prestissimo, é bem curto e energético, seguindo a forma-sonata. O primeiro tema é apresentado com um motivo rítmico em semicolcheias. Este motivo é repetido três vezes, cada vez em um registro mais agudo, com as notas em oitavas. O segundo tema é um pouco mais calmo, mais melódico, acompanhado de alguns acordes. O interessante desse final é justamente o fim. Beethoven dá aquela parada no andamento e energia, para depois voltar com tudo e encerrar a sonata.


Sobre a obra:


Apelido: Nenhum
Forma: Sonata para piano
Tonalidade: Compasso - Dó menor - 3/4
Movimentos 3
Data da composição: 1795-8
Número da composição: Op. 10 nº 1

Andamentos

Primeiro Movimento: Allegro molto e com brio
Segundo Movimento: Adagio molto
Terceiro Movimento: Prestíssimo





fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonata_Op._10_n._1_(Beethoven)

Sonata Op. 7 - Beethoven



Sonata Op. 7
          A quarta sonata de Beethoven segue a mesma estrutura das três anteriores, com quatro movimentos. Esta sonata, em Mi bemol maior, foi dedicada à condessa Babette Von Keglevics, por muitos considerada amante de Beethoven. Essa sonata tem uma característica muito energética e até mesmo passional em seus movimentos.



Sonata Opus 7 - Primeiro movimento (Allegro molto e con brio)





Allegro: Primeiro movimento.


          O tema do primeiro movimento inicia uma idéia repetitiva, nas colcheias da mão direita. A atmosfera alegre e jovial preenche a exposição. Passagens rápidas em oitavas quebradas e escalas cromáticas aumentam o nível de dificuldade desse movimento. O desenvolvimento utiliza a textura do inicio da obra, explorando o acompanhamento da mão esquerda. Beethoven modula para lá menor no decorrer do desenvolvimento - é a segunda vez que Beethoven troca a armadura de clave durante um primeiro movimento ( a primeira acontece em sua segunda sonata). O movimento longo termina de uma forma decisiva.




Largo, con gran espressione : Segundo movimento.


          Largo, con gran espressione é a indicação de Beethoven para o clima do segundo movimento, que se desenrola em dó maior. A escrita comedida e cheia de pausas relembra o segundo movimento da sonata Op. 2 numero 3, mas as variações de ritmo, articulação e dinâmica fazem esse movimento se destacar entre as páginas escritas por Beethoven em sua primeira fase. O uso contante de tenuto reflete a preocupação de Beethoven em dar ênfase à expressividade. A dificuldade técnica reside na interpretação e cuidado com as notas pontuadas.


Sonata Opus 7 - Terceiro movimento (Allegro)


Allegro: Terceiro movimento.


          O terceiro movimento não é um scherzo, e tampouco um minueto. Beethoven simplesmente colocou allegro no topo da página. Se bem que o tema poderia perfeitamente se encaixar num minueto, com o compasso ternário e a melodia simples em frases de quatro compassos. A segunda parte tem um início polifônico (como muitos trios e scherzos de Beethoven) e mantém a simplicidade. A atmosfera de turbulência atingida pelos acordes quebrados só poderia sair da pena de Beethoven. A energia não para do inicio ao fim, e o intérprete tem que ter concentração para fazer as notas bem iguais, mas ao mesmo tempo trazer a melodia "escondida" a tona.


Sonata Opus 7 - Quarto movimento (Rondo)



Rondo Poco Allegretto e grazioso: Quarto movimento


          O rondó final é bem difícil tecnicamente, assim como todos os últimos movimentos das sonatas de Beethoven. Alguns até dizem que esse é o seu rondó mais ambicioso para piano da primeira fase. O pianista tem que ter uma resistência grande, porque o movimento é bem longo, e as mudanças de técnica são constantes. O final da sonata se dilui em uma nuvem de fusas na mão esquerda.

          A sonata Op. 7 é definitivamente uma sonata a ser estudada por qualquer pianista sério que queira entrar a fundo na obra para piano do Beethoven da primeira fase.







Sobre a Obra

Apelido: Nenhum
Forma: Sonata para piano
Tonalidade - Sonata em Mi bemol maior - 4/4
Movimentos 4
Data da composição: 1796-7
Número da composição: Op. 7

Andamentos

Primeiro Movimento: Allegro molto e con brio
Segundo Movimento: Largo con gran espressione
Terceiro Movimento: Allegro
Quarto Movimento: Rondo Poco Allegretto e grazioso





fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonata_Op._7_(Beethoven)

Sonata Op. 2 n° 3 - Beethoven

  



Sonata Op. 2 número 3



           A terceira sonata de Beethoven também é dedicada a Haydn, e também tem quatro movimentos. Essa sonata - a última do Opus 2 é em dó maior.

          O primeiro movimento começa com o motivo principal e já de cara assusta o pianista. O primeiro motivo da obra (as terças em semicolcheias) dá muito trabalho para sair direito. Muitos tocam com as duas mãos, mas esse motivo deve ser tocado com a direita. Enfim, depois dele, Beethoven cria uma atmosfera bem energética, com oitavas quebradas em fortíssimo. Os [tema]s são bem separados, e têm características bem diferentes. O primeiro, energético, rítmico e vibrante. O segundo, lírico e expressivo. As oitavas quebradas são uma constante nesse movimento, o que requer uma resistência boa por parte do pianista.

          No desenvolvimento, os trinados e acordes quebrados aparecem a toda hora, criando uma progressão harmônica interessante. Depois da recapitulação, Beethoven coloca uma mini-cadência antes de acabar o movimento. Nessa cadência, o carater é improvisatório. A cadência termina no motivo inicial mais uma vez - como se fosse uma segunda recapitulação, já saindo um pouco da forma tradicional, mesmo que só por um tempinho. O movimento acaba decisivamente em oitavas quebradas em fortíssimo e dois acordes decisivos. Os acentos estão presentes em todas as partes do movimento (assim como nas sonatas anteriores).

          Beethoven compôs o segundo movimento em uma tonalidade fora dos padrões esperados - Numa sonata em Dó maior, o segundo movimento é em Mi maior! - atingindo um contraste interessante.


Adagio: Segundo movimento.
          Nesse segundo movimento, Beethoven coloca em prática seu talento pela melodia e progressão harmônica. A técnica de "três mãos" aparece aqui nesse movimento. O pianista deve cruzar as mãos para obter o efeito de baixo, melodia e acompanhamento ao mesmo tempo. E tudo isso numa atmosfera bem delicada e calma. A expressividade desse movimento traduz uma das mais belas páginas da primeira fase de Beethoven.


Scherzo (Allegro): Terceiro movimento.

          O terceiro movimento é, de novo, um Scherzo. Uma polifonia alegre cria um scherzo energético. O motivo de três colcheias aparece ao longo do movimento, que termina com um salto de oitava O trio passa rápido como um trem. Os acordes quebrados em forma de arpejo subindo e descendo criam uma atmosfera instável e sempre em movimento. A dificuldade aparece no final, com um arpejo descendente que não dá margem a rubatos ou "perdas de tempo." O interprete pode escolher tocá-lo bem fluido (com pedal) ou bem claro, (sem pedal). Qualquer que seja a escolha, o caráter deve ser mantido. A CODA desse terceiro movimento desfaz a energia acumulada no Scherzo e prepara de certo modo a entrada do Rondo final.

Allegro assai: Quarto movimento.

          O quarto movimento vem em forma de um rondó. Com a caracteristica principal sendo a leveza e flexibilidade de pulso para tocar os acordes ascendentes do tema. O movimento apresenta saltos, oitavas, arpejos, escalas rapidissimas, etc - enfim tudo o que for possivel para desafiar a técnica do pianista. No final, Beethoven apresenta um de seus longos trinados (o que seria uma marca registrada das últimas sonatas).O movimento tem vários "finais" em hesitação, que se perdem em pausas com fermatas antes do final verdadeiro - energético em fortíssimo.

          Fechando o ciclo de três sonatas Op.2, Beethoven parte da zona de conforto e tradicionalismo de Haydn e Mozart e embarca numa jornada que o levaria a reinventar a forma-sonata



Sobre a Obra

Apelido: Nenhum
Forma: Sonata para piano
Tonalidade/Compasso: Dó maior, 4/4
Andamento Allegro com brio
Data da composição: 1795
Número da composição: Op. 2 No. 3




fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonata_para_piano_n.º_3_(Beethoven) 

Sonata Op. 2 n° 2 - Beethoven




Sonata Op. 2 número 2


          A forma tradicional da sonata para piano seguia o padrão de andamentos rápido-lento-moderato-rápido. Beethoven o quebrou com suas sonatas, mas somente mais tarde.

          A segunda sonata de Beethoven para piano – Op. 2 número 2 – também é dedicada ao mestre Joseph Haydn. Essa sonata também possui a forma tradicional de 4 movimentos (allegro vivace, largo appassionato, Scherzo allegro e Rondo Grazioso).


 Allegro vivace: Primeiro movimento.


         A sonata é na tonalidade maior de lá e inicia com um ar misterioso, em piano e staccato. Beethoven usa o material principal da sonata apresentado nos primeiros compassos para uma vez mais desenvolver a estrutura do primeiro movimento. O movimento é rico rítmicamente com seu compasso ligeiro (2/4). O desenvolvimento da sonata apresenta uma técnica interessante, muito comum em Scarlatti em suas obras para o teclado - A técnica de mãos cruzadas. Esta técnica produz no ouvinte a impressão auditiva de três mãos tocando o piano. No desenvolvimento de sua segunda sonata, Beethoven utiliza essa mesma técnica, alternando o tema nos extremos do piano com a mão esquerda, enquanto a mão direita realiza o acompanhamento em semicolcheias. Outra característica da música de Beethoven aparece com mais frequência ao longo desse movimento - a presença de acentos. Em várias ocasiões, Beethoven usa o fp ou ffp para indicar acentos em certas notas ou acordes.

          O movimento termina em pianissimo, preparando a entrada do próximo - outra característica a ser notada em suas sonatas.


 Scherzo (Allegro): Terceiro movimento.


           O segundo movimento é de uma beleza ímpar. As articulações do baixo acompanhando uma melodia simples criam uma atmosfera muito interessante ao longo do movimento. Uma atmosfera calma, sem muita tensão, mas ao mesmo tempo muito expressiva. Durante o movimento, Beethoven demostra sua familiaridade com a escrita polifônica. Os acentos estão presentes nesse movimento, assim como a transformação temática.

 

 Scherzo (Allegro): Terceiro movimento.


          O terceiro movimento é bem curto e simples. Como todo terceiro movimento, esse possui uma aura simpática e simples. O Scherzo (tradução – brincadeira) tem um andamento mais rápido do que o minueto, mesmo sendo em 3/4. O trio que segue traz uma textura homofônica, com uma melodia descendente.



 Rondo (Grazioso): Quarto movimento.

          A sonata termina delicadamente e quase subitamente em piano.

          Com sua segunda sonata, Beethoven apresenta vários aspectos que marcariam suas composições futuras. Acentos, conexão entre movimentos, modificações rítmicas e cromaticismo. Um aperitivo para suas próximas criações.
 

Sobre a Obra

Apelido: Nenhum
Forma: Sonata para piano
Tonalidade - Compasso: Lá maior - 2/4
Movimentos 4
Data da composição: 1795
Número da composição: Op. 2 No. 2
 
Andamentos
 
Primeiro Movimento Allegro vivace
Segundo Movimento Largo Appassionato
Terceiro Movimento Scherzo (Allegro)
Quarto Movimento Rondo (Grazioso)
 



Cordiais saudações caros leitores,  vos trago uma matéria da Deutsche Welle sobre o compositor Robert Alexander Schumann da Saxônia. Um compositor de características mascantes e de um estilo singular...


          
          Robert Alexander Schumann (imagem à esquerda) nasceu em 8 de junho de 1810, em Zwickau, Saxônia. Dotado de um duplo talento, literário e musical, ele deixou uma obra abrangente, que inclui desde canções e miniaturas para piano até óperas e sinfonias. Além disso, trabalhou como crítico, professor e regente. O outro lado dessa capacidade criativa, no entanto, era uma personalidade marcada pela doença e pela depressão.

          Schumann demorou bastante até se decidir entre a literatura e a música. Do pai herdou o amor pelas letras e consta que sua mãe era extremamente musical. Aos sete anos de idade, tomou as primeiras aulas de piano e escreveu suas primeiras composições, mas também redações, poesias e fragmentos de romances. Como logo já tocava melhor do que seu professor, resolveu continuar os estudos de piano como autodidata.


           Originalmente destinado à carreira jurídica, ele deixou sua cidade natal para estudar Direito em Leipzig. Porém lá a vida tomou um rumo imprevisto: Robert começou a estudar composição e fundou, juntamente com o professor de piano Friedrich Wieck, a revista Neue Zeitschrift für Musik, existente até hoje.

Edição das 'Novelletten' para piano (imagem à direita)

Casamento inspirador


           O jovem músico também ficou conhecendo a filha de Wieck, a jovem pianista Clara, fato que não agradou em absoluto ao ambicioso pai. Com todos os meios à sua disposição, ele tentou impedir essa ligação. Os dois conseguiram, porém, vencê-lo após longa batalha judicial, casando-se em 1840, quando Clara completou 21 anos de idade.

           O casal viveu quatro anos em Leipzig e os primeiros tempos de matrimônio foram inspiradores para Schumann: logo brotaram de sua pena diversos ciclos de canções, quartetos de cordas, peças pianísticas, as primeiras sinfonias, o Concerto para piano em lá menor, o oratório Das Paradies und die Peri. Ele foi nomeado doutor honoris causa da Universidade de Jena e conseguiu se lançar como compositor.



 Robert e Clara Schumann (imagem)

          A popularidade de sua música era, todavia, restrita: Ludwig van Beethoven, Felix Mendelssohn e Frédéric Chopin correspondiam bem mais ao gosto de sua época. Mesmo a esposa Clara executava suas obras, no máximo, como "bis" em seus concertos. Uma humilhação agravada pelo fato de que, mesmo durante suas turnês, ele era frequentemente reconhecido apenas como o marido da afamada virtuose.

         Assim, a convocação como diretor musical da cidade de Düsseldorf chegou como um fio de esperança para o compositor.



Decepção renana



          No entanto, o entusiasmo inicial dos Schumann pela Renânia logo se desfez. Robert não se adaptou às pressões do cargo, os sintomas de depressão e alucinações se tornaram cada vez mais graves. Frequentemente ele passava noites em claro, queixando-se das peças musicais inteiras que lhe retumbavam na cabeça. Apesar de tudo, um terço de sua obra foi composta durante os quatro anos vividos em Düsseldorf, inclusive os concertos para violino e para violoncelo, a Missa opus 147 e o Réquiem.

          Com a visita do jovem Johannes Brahms aos Schumann, nasceu uma amizade profunda e duradoura. Robert afundava, contudo, cada vez mais num estado de confusão mental. Em 27 de fevereiro de 1854, atirou-se ao Rio Reno. Foi salvo, mas passou seus dois últimos anos de vida num asilo para doentes mentais em Endenich, próximo a Bonn.

Peça da Coleção Schumann, do Instituto Heinrich Heine (imagem)

          Em comemoração ao bicentenário de Robert Schumann estão programados numerosos eventos nas diferentes estações de sua vida, na Alemanha. Em Zwickau, ele é relembrado com uma série de concertos e um concurso pianístico. Leipzig e Dresden lhe dedicam diversos concertos e exposições. E o Instituto Heinrich Heine, de Düsseldorf, exibe tesouros selecionados de sua Coleção Schumann.

Autor: Gudrun Stegen / Augusto Valente
Revisão: Soraia Vilela





Edição: Clóvis Marques





Fonte: www.opiniaoenoticia.com.br


As Sinfonias de Villa-Lobos

           Um dos sites de notícia que eu mais aprecio é o Opinião e Notícia, neste site há uma coluna semanal sobre música clássica que é elaborada por Clóvis Marques e hoje eu trago para vocês a primeira de muitas outras edições desta coluna que pretendo estar sempre postando aqui no Erudithus.


        A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo(Osesp) anunciou uma gravação das onze Sinfonias deixadas por Heitor Villa-Lobos, sob a batuta de Isaac Karabtchevsky (imagem). Será uma realização importante por vários motivos, entre eles a possibilidade de um trabalho editorial que consolide a clareza e praticabilidade das partituras.

          Como lembra na entrevista abaixo o maestro Karabtchevsky, as doze Sinfonias compostas por Villa-Lobos entre 1916 e 1957 (uma das quais, a quinta, se perdeu numa de suas viagens, assim como os Choros 13 e 14) ficaram em muitos casos sem o último grau de acabamento nos manuscritos, o que pode tornar problemática a execução.

          Entre o fim dos anos 90 e o início deste século, o maestro americano Carl St. Clair gravou uma integral das Sinfonias de Villa para o selo alemão CPO, com a Orquestra Sinfônica da Rádio de Stuttgart. Em entrevista que então publiquei no Jornal do Brasil, ele também falava do problema: “As partes estavam cheias de erros”, explicava St. Clair. “Creio que Villa-Lobos não teve oportunidade de ouvir cada sinfonia e fazer pequenos ajustes. Se tivesse podido ouvi-las e regê-las muitas vezes, elas talvez fossem hoje diferentes.”

          As Sinfonias sempre foram uma espécie de patinho feio na obra orquestral de Villa-Lobos. Roberto Duarte, o regente brasileiro que mais tem investigado e gravado a música sinfônica de Villa, também se pronunciava anos atrás sobre a questão. Ele ponderava na mesma reportagem do JB que as características de brasilidade das Bachianas e dos Choros, para não falar de poemas sinfônicos como Amazonas e suítes como a do Descobrimento do Brasil, falam mais diretamente ao público: “Nas sinfonias, a linguagem é mais universalista. Concordo que às vezes ele é prolixo, como Mahler ou Bruckner, e pode perder a direção. Mas há coisas geniais nesta perda de direção”, ponderava Duarte, no contexto de um debate sobre a forma nas Sinfonias do mestre brasileiro.

          Nesse debate, além de Duarte e St. Clair, eu ouvira a maestrina uruguaia Giselle Ben-Dor, que acabava de gravar a Sinfonia nº 10 com a Sinfônica de Santa Barbara e se mostrava a mais exaltada na defesa das Sinfonias de Villa frente às críticas de heterodoxia formal: “Também Dvorak ou Tchaikovsky sofreram esse tipo de crítica: se a música não respeitar padrões germânicos, não é boa. Mas eles sabiam estruturar uma sinfonia e optavam por um tipo de estrutura que tinha a ver com suas próprias ideias musicais.”

          Karabtchevsky e a Osesp iniciarão em 2011 as gravações para os selos BIS e Biscoito Fino, que até 2016 lançarão um CD por ano com versões revistas e editadas das obras, aos cuidados do Centro de Documentação Musical da Osesp. Começaremos com as Sinfonias nº 3 (A Guerra) e nº 4 (A Vitória). Este mês, a BIS sueca lança no mercado internacional a gravação da Floresta do Amazonas feita pela Osesp em julho de 2007 na Sala São Paulo. A discografia da Osesp já conta, como sabemos, com as integrais dos Choros e das Bachianas.

A seguir, Isaac Karabtchevsky fala a Opinião e Notícia sobre o projeto.

- Em sua longa experiência da obra de Villa-Lobos, como diria que as Sinfonias se destacam dos outros ciclos ou obras orquestrais importantes?

         Isaac Karabtchevsky: Foi no contato com os debates estéticos que ocorreram na transformação do Império na República que o jovem Heitor Villa-Lobos se formou. Integrante da geração que se seguiu a Miguéz e Nepomuceno, Villa-Lobos compreenderia as diferentes estéticas musicais de acordo com o panorama traçado por seus antecessores: a “antiguidade” e a “nobreza” da ópera italiana; a “modernidade” de Wagner e Saint-Saëns ou a estética “revolucionária” de Claude Debussy. Assim, diferentemente de Nepomuceno, que buscava a pureza da forma de sonata, Villa-Lobos trilhava uma estética que, mesmo apoiada nesta forma, traçava outros rumos – eles provinham do impressionismo francês, da palheta orquestral de Ravel e de um grupo de compositores que iriam moldar suas primeiras sinfonias, Vincent d’Indy e Saint-Saëns, entre outros. As primeiras sinfonias de Villa-Lobos são uma incursão no território da grande música e apenas o preâmbulo para as formas que surgiriam posteriormente, principalmente aquelas que utilizariam o folclore como ponto de partida, elemento indispensável à sua fantasia e criatividade. Essas obras, como as Bachianas brasileiras e os Choros, mereceram sempre maior atenção dos intérpretes e passaram por amplo trabalho de revisão e burilamento. Não foi o que aconteceu com as sinfonias, infelizmente.

- Quais as Sinfonias que já regeu, e com quais orquestras?

          I. K.: Exatamente pela falta de um trabalho mais completo na correção dos manuscritos, excetuando o recentemente realizado nas sinfonias 3, 4, 6 e 7 pela Osesp, abstive-me de regê-las. Quando fui convidado pela orquestra para gravar todas as onze sinfonias até 2016, conversamos, Arthur Nestrovsky (diretor musical da Osesp) e eu, sobre a empreitada que adviria de um estudo meticuloso dos manuscritos a ser desenvolvido por uma equipe de musicólogos. Seria esse o passo definitivo para tornar as sinfonias acessíveis a todas as orquestras do mundo, sem as aberrações que estamos acostumados a ouvir.

– Diria, como certos observadores, que nas Sinfonias Villa-Lobos se afasta dos cânones de estrutura e forma habituais nesse gênero?

          I. K.: Villa-Lobos foi o primeiro compositor brasileiro a entrar de corpo e alma no modernismo. Sua preocupação era abordar o inédito, aquilo que julgava não desbravado dentro da estética de seu tempo. Tarefa árdua, principalmente quando se sabe que todos os mestres do princípio do século XX buscavam um caminho que os diferenciasse de Wagner e de toda a revolução decorrente da Tetralogia, do cromatismo – este, a apenas a um passo da atonalidade. A linguagem de Villa-Lobos buscava, no decorrer das sinfonias, uma identidade que seria o caminho entre o nacional e o universal.




Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/musica/as-sinfonias-de-villa-lobos/?ga=dtf

Sonata Op. 2, nº 1 - Beethoven






Sonata Op. 2 número 1



          A primeira sonata de Beethoven para piano (Op. 2 numero 1) é dedicada a Joseph Haydn. Tem quatro movimentos (allegro, adagio, Menuetto e prestíssimo) numa ordem clássica, seguindo a tradição já estabelecida.


  Allegro: Primeiro movimento. 

          O primeiro movimento começa com uma sequência de notas arpejadas na tonalidade de fá menor. Muitos especialistas escreverem teses e artigos sobre a primeira nota. Se deve ser staccato, legato, etc. O tipo de articulação dessa primeira nota ainda gera controvérsias.

          Enfim, o primeiro movimento se desenrola tradicionalmente, com seus primeiro e segundo temas, desenvolvimento e recapitulação. A dificuldade de execução fica por conta da clareza e leveza de toque, não só nos stacatos, mas nas quiálteras (tripletes)

          Os dois primeiros compassos do movimento apresentam o material a ser desenvolvido durante o restante da peça. O movimento se desenvolve inteiramente no motivo principal, as notas ascendentes e a resolução das quiálteras. Beethoven mostrava já na sua primeira sonata, o seu talento em desenvolver temas e peças baseadas em um único fragmento melódico ou rítmico.

          O movimento termina depois de duas sequências de notas descendentes e uma série de acordes em fortíssimo. 



 Adagio: Segundo movimento.


         O segundo movimento apresenta uma dificuldade muito comum em movimentos lentos - a execução da ornamentação. Vários trinados, mordentes e apogiaturas recheiam a melodia desse segundo movimento. A tonalidade do segundo movimento é Fá Maior (em contraste com Fá menor do primeiro). As passagens melódicas apresentadas na melodia também criam uma atmosfera quase que fantasiosa.



 Menuetto: Terceiro movimento.


         A tradição na forma sonata pede um movimento de dança depois do movimento lento. Beethoven, seguindo essa tradição, apresenta um minueto/trio/minueto como terceiro movimento. Voltando a Fá menor, o minueto é alegre, leve e simpático. O Trio apresenta a melodia alternada entre a mão direita e a esquerda em duas vozes. A dificuldade técnica maior aparece no final do trio, com uma passagem de sextas na mão direita.



 Prestíssimo: Quarto movimento.


       O movimento final (prestíssimo) é de uma energia impressionante. Já em sua primeira sonata, Beethoven se mostra ambicioso no último movimento. A técnica necessária para tocá-lo é grande: Arpejos constantes no baixo, acordes cheios, escalas rápidas, trinados, oitavas, etc. O pianista tem somente um momento para "respirar" - logo depois da barra de repetição. As últimas paginas são um "thriller", onde qualquer descuido pode ser fatal.

      A Sonata Op. 2 número 1 inicia a série de obras primas para o piano de Beethoven. Beethoven entra no mundo das sonatas com confiança, colocando o pé na porta e dizendo: "Cheguei!" As sonatas subsequentes confirmariam a impressão da primeira - Beethoven havia chegado para ficar!


Sobre a Obra

Apelido: Nenhum
Forma: Sonata para piano
Tonalidade - Compasso: Fá menor, 2/2
Movimentos 4
Data da composição: 1795
Número da composição: Op. 2 No. 1

Andamentos

Primeiro Movimento: Allegro
Segundo Movimento: Adagio
Terceiro Movimento: Menuetto
Quarto Movimento: Prestíssimo







Ludwig van Beethoven

Nome completo: Ludwig van Beethoven


Nascimento: 16 de Dezembro de 1770 Bonn, Nordrhein-Westfalen Alemanha


Morte: 26 de Março de 1827 (56 anos) Viena, Áustria


Ocupação: Compositor, pianista





Retrato feito por Joseph Karl Stieler em 1820



          Beethoven, batizado em 17 de Dezembro de 1770[1] — Viena, 26 de Março de 1827) foi um compositor alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem, como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos. "O resumo de sua obra é a liberdade," observou o crítico alemão Paul Bekker (1882-1937), "a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida".


Biografia
   
Família 

          Beethoven foi batizado em 17 de Dezembro de 1770, tendo nascido presumivelmente no dia anterior, na Renânia do Norte (Alemanha). Sua família era de origem flamenga, cujo sobrenome significava horta de beterrabas e no qual a partícula van não indicava nobreza alguma.[2] Seu avô, Lodewijk van Beethoven - também chamado Luís na tradução -, de quem herdou o nome, nasceu na Antuérpia, em 1712, e emigrou para Bonn, onde foi maestro de capela do príncipe eleitor. Descendia de artistas, pintores e escultores, era músico e foi nomeado regente da Capela Arquiepiscopal na corte da cidade de Colónia. Na mesma capela, seu filho, o pai de Ludwig, era tenor e também leccionava. Foi dele que Beethoven recebeu as suas primeiras lições de música, o qual o pretendeu afirmar como menino prodígio ao piano, tal seria a facilidade demonstrada desde muito cedo para tal. Por isso o obrigava a estudar música todos os dias, durante muitas horas, desde os cinco anos de idade. No entanto, seu pai terminou consumido pelo álcool, pelo que a sua infância se manifestou como infeliz.

          Sua mãe, Maria Magdalena Kewerich (1746-1787), era filha do chefe de cozinha do príncipe da Renânia, Johann Heinrich Keverich. Casou-se duas vezes. O primeiro marido foi Johann Leym (1733-1765). Tiveram apenas um filho, Johann Peter Anton, que nasceu e morreu em 1764. Depois da morte do marido, Magdalena, viúva, casou-se com Johann van Beethoven (1740-1792). Tiveram sete filhos: o primeiro, Ludwig Maria, que nasceu e morreu no ano de 1769; o segundo Ludwig van Beethoven (1770-1827) -  Beethoven em 1783 na imagem -, o compositor, que morreu com 56 anos; o terceiro, Kaspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) que também tinha dotes para a música e que morreu com 41 anos; o quarto, Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848), que se tornou muito rico, graças à indústria farmacêutica, e que morreu com 72 anos; a quinta, Anna Maria, que nasceu e morreu em 1779; o sexto, Franz Georg (1781-1783), que morreu com dois anos de idade e a sétima, Maria Magdalena (1786-1787), que morreu com apenas um ano de idade. Portanto, Beethoven – que foi o 
terceiro filho da sua mãe e o segundo do seu pai – teve seis irmãos, quatro dos quais morreram na infância. Quanto aos irmãos vivos, Beethoven foi o primeiro, Kaspar foi o segundo e Nicolaus o terceiro.  





Início da Carreira 


          Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados, mas sempre revelou um talento excepcional para a música. Com apenas oito anos de idade, foi confiado a Christian Gottlob Neefe (1748-1798), o melhor mestre de cravo da cidade,[3] que lhe deu uma formação musical sistemática, e lhe deu a conhecer os grandes mestres alemães da música. Numa carta publicada em 1780, pela mão de seu mestre, afirmava que seu discípulo, de dez anos, dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e que o apresentava como um segundo Mozart. Compôs as suas primeiras peças aos onze anos de idade, iniciando a sua carreira de compositor, de onde se destacam alguns Lieder. Os seus progressos foram de tal forma notáveis que, em 1784, já era organista-assistente da Capela Eleitoral, e pouco tempo depois, foi violoncelista na orquestra da corte e professor, assumindo já a chefia da família, devido à doença do pai - alcoolismo. Foi neste ano que conheceu um jovem Conde de Waldstein (imagem), a quem mais tarde dedicou algumas das suas obras, pela sua amizade. Este, percebendo o seu grande talento, enviou-o, em 1787, para Viena, a fim de ir estudar com Joseph Haydn. O Arquiduque de Áustria, Maximiliano, subsidiou então os seus estudos. No entanto, teve que regressar pouco tempo depois, assistindo à morte de sua mãe. A partir daí, Ludwig, com apenas dezessete anos de idade, teve que lutar contra dificuldades financeiras, já que seu pai tinha perdido o emprego, devido ao seu já elevado grau de alcoolismo.

          Foi o regresso de Viena que o motivou a um curso de literatura. Foi aí que teve o seu primeiro contacto com Ideais da Revolução Francesa, com o Iluminismo e com um movimento literário romântico: Sturm und Drang - Tempestade e Ímpeto/Paixão;[4] dos quais, um dos seus melhores amigos, Friedrich Schiller, foi, juntamente com Johann Wolfgang von Goethe, dos líderes mais proeminentes deste movimento, que teria uma enorme influência em todos os sectores culturais na Alemanha.


   Maximiliano, Arquiduque de Áustria (imagem) 


Viena 


          Em 1792, já com 21 anos de idade, muda-se para Viena onde, afora algumas viagens, permanecerá para o resto da vida. Foi imediatamente aceito como aluno por Joseph Haydn, o qual manteve o contacto à primeira estadia de Ludwig na cidade. Procura então complementar mais os seus estudos, o que o leva a ter aulas com Antonio Salieri, com Foerster e Albrechtsberger, que era maestro de capela na Catedral de Santo Estêvão. Tornou-se então um pianista virtuoso, cultivando admiradores, os quais muitos da aristocracia. Começou então a publicar as suas obras (1793-1795). O seu Opus 1 é uma colecção de 3 Trios para Piano, Violino e Violoncelo. Afirmando uma sólida reputação como pianista, compôs suas primeiras obras-primas: as Três Sonatas para Piano Op.2 (1794-1795). Estas mostravam já a sua forte personalidade. 


Surdez em Viena


          Foi em Viena que lhe surgiram os primeiros sintomas da sua grande tragédia. Foi-lhe diagnosticado, por volta de 1796, tinha Ludwig os seus 26 anos de idade, a congestão dos centros auditivos internos, o que lhe transtornou bastante o espírito, levando-o a isolar-se e a grandes depressões.  Beethoven em 1803 (imagem)






"Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas acções; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos."
 Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, a 6 de Outubro de 1802


          Consultou vários médicos, inclusive o médico da corte de Viena. Fez curativos, realizou balneoterapia, usou cornetas acústicas, mudou de ares; mas os seus ouvidos permaneciam arrolhados. Desesperado, entrou em profunda crise depressiva e pensou em suicidar-se. 


"Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!" 
 Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, a 6 de Outubro de 1802 

          Embora tenha feito muitas tentativas para se tratar, durante os anos seguintes, a doença continuou a progredir e, aos 46 anos de idade (1816), estava praticamente surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Ludwig jamais perdeu a audição por completo, muito embora nos seus últimos anos de vida a tivesse perdido, condições que não o impediram de acompanhar uma apresentação musical ou de perceber nuances timbrísticas. 

O Gênio 

           No entanto, o seu verdadeiro gênio só foi realmente revisado com a publicação das suas Op. 7 e Op. 10, entre 1796 e 1798: a sua Quarta Sonata para Piano em Mi Maior, e as suas Quinta em Dó Menor, Sexta em Fá Maior e Sétima em Ré Maior Sonatas para Piano.

 Beethoven,  por Joseph Mähler (imagem)

          Em 2 de Abril de 1800, a sua Sinfonia nº1 em Dó maior, Op. 21 faz a sua estreia em Viena. Porém, no ano seguinte, confessa aos amigos que não está satisfeito com o que tinha composto até então, e que tinha decidido seguir um novo caminho. Em 1802, escreve o seu testamento, mais tarde revisto como O Testamento de Heilingenstadt, por ter sido escrito na localidade austríaca de Heilingenstadt, então subúrbio de Viena, dirigido aos seus dois irmãos vivos: Kaspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) e Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848).

 
          Finalmente, entre 1802 e 1804, começa a trilhar aquele novo caminho que ambiciona, com a apresentação de Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, Op.55, intitulada de Eróica. Uma obra sem precedentes na história da música sinfônica, considerada o início do período Romântico, na Música Erudita. Os anos seguintes à Eróica foram de extraordinária fertilidade criativa, e viram surgir numerosas obras-primas: a Sonata para Piano nº 21 em Dó maior, Op.53, intitulada de Waldstein, entre 1803 e 1804); a Sonata para Piano nº 23 em Fá menor, Op.57, intitulada de Appassionata, entre 1804 e 1805; o Concerto para Piano nº 4 em Sol Maior, Op.58, em 1806; os Três Quartetos de Cordas, Op.59, intitulados de Razumovsky, em 1806; a Sinfonia nº 4 em Si bemol Maior, Op.60, também em 1806; o Concerto para Violino em Ré Maior, Op.61, entre 1806 e 1807; a Sinfonia nº 5 em Dó Menor, Op.67, entre 1807 e 1808; a Sinfonia nº 6 em Fá maior, Op.68, intitulada de Pastoral, também entre 1807 e 1808; a Ópera Fidelio, Op.72, cuja versão definitiva data de 1814; e o Concerto para Piano nº 5 em Mi bemol Maior, Op.73, intitulado de Imperador, em 1809.

          Ludwig escreveu ainda uma Abertura, música destinada a ilustrar uma peça teatral, uma tragédia em cinco actos de Goethe: Egmont. E muito se conta do encontro entre Johann Wolfgang von Goethe e Ludwig van Beethoven.

"Uma criatura completamente indomável."
''Johann Wolfgang von Goethe, sobre Ludwig van Beethoven'

Crise Criativa

          Depois de 1812, a surdez progressiva aliada à perda das esperanças matrimoniais e problemas com a custódia do sobrinho levaram-o a uma crise criativa, que faria com que durante esses anos ele escrevesse poucas obras importantes.

          Neste espaço de tempo, escreve a Sinfonia nº 7 em Lá Maior, Op.92, entre 1811 e 1812, a Sinfonia nº 8 em Fá Maior, Op.93, em 1812, e o Quarteto em Fá Menor, Op.95, intitulado de Serioso, em 1810.

          A partir de 1818, Ludwig, aparentemente recuperado, passou a compor mais lentamente, mas com um vigor renovado. Surgem então algumas de suas maiores obras: a Sonata nº 29 em Si bemol Maior, Op.106, intitulada de Hammerklavier, entre 1817 e 1818; a Sonata nº 30 em Mi Maior, Op.109 (1820); a Sonata nº 31 em Lá bemol Maior, Op.110 (1820-1821); a Sonata nº 32 em Dó Menor, Op.111 (1820-1822); as Variações Diabelli, Op.120 (1819.1823), a Missa Solemnis, Op.123 (1818-1822).

Beethoven em 1815 (imagem


Últimos anos... 

          A culminância destes anos foi a Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125 (1822-1824), para muitos a sua maior obra-prima. Pela primeira vez é inserido um coral num movimento de uma sinfonia. O texto é uma adaptação do poema de Friedrich Schiller, "Ode à Alegria", feita pelo próprio Ludwig van Beethoven. 

"Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até à morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!"
Parte do verso da Ode à Alegria, de Friedrich Schiller, utilizado por Ludwig van Beethoven.

          A obra de Beethoven refletiu em um avivamento cultural. Conforme o historiador Paul Johnson, "Existia uma nova fé e Beethoven era o seu profeta. Não foi por acidente que, aproximadamente na mesma época, as novas casas de espetáculo recebiam fachadas parecidas com as dos templos, exaltando assim o status moral e cultural da sinfonia e da música de câmara."

          Os anos finais de Ludwig foram dedicados quase exclusivamente à composição de Quartetos para Cordas. Foi nesse meio que ele produziu algumas de suas mais profundas e visionárias obras, como o Quarteto em Mi bemol Maior, Op.127 (1822-1825); o Quarteto em Si bemol Maior, Op.130 (1825-1826); o Quarteto em Dó sustenido Menor, Op.131 (1826); o Quarteto em Lá Menor, Op.132 (1825); a Grande Fuga, Op.133 (1825), que na época criou bastante indignação, pela sua realidade praticamente abstrata; e o Quarteto em Fá Maior, Op.135 (1826).

          De 1816 até 1827, ano da sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais. Sua influência na história da música foi imensa. Ao morrer, a 26 de Março de 1827, estava a trabalhar numa nova sinfonia, assim como projectava escrever um Requiem. Ao contrário de Mozart, que foi enterrado anonimamente em uma vala comum (o que era o costume na época), 20.000 cidadãos vienenses enfileiraram-se nas ruas para o funeral de Beethoven, em 29 de março de 1827. Franz Schubert, que morreu no ano seguinte e foi enterrado ao lado de Beethoven, foi um dos portadores da tocha. Depois de uma missa de réquiem na igreja da Santíssima Trindade (Dreifaltigkeitskirche), Beethoven foi enterrado no cemitério Währing, a noroeste de Viena. Seus restos mortais foram exumados para estudo, em 1862, sendo transferidos em 1888 para o Cemitério Central de Viena.[5]

          Há controvérsias sobre a causa da morte de Beethoven, sendo citados cirrose alcoólica, sífilis, hepatite infecciosa, envenenamento, sarcoidose e doença de Whipple.[6] [7] Amigos e visitantes, antes e após a sua morte haviam cortado cachos de seus cabelos, alguns dos quais foram preservadas e submetidos a análises adicionais, assim como fragmentos do crânio removido durante a exumação em 1862.[8] Algumas dessas análises têm levado a afirmações controversas de que Beethoven foi acidentalmente levado à morte por envenenamento devido a doses excessivas de chumbo à base de tratamentos administrados sob as instruções do seu médico.

 

 Vida artística, síntese

          A sua vida artística poderá ser dividida - o que é tradicionalmente aceite desde o estudo, publicado em 1854, de Wilhelm von Lenz - em três fases: a mudança para Viena, em 1792, quando alcança a fama de brilhantíssimo improvisador ao piano; por volta de 1794, se inicia a redução da sua acuidade auditiva, facto que o leva a pensar em suicídio; os últimos dez anos de sua vida, quando fica praticamente surdo, e passa a escrever obras de carácter mais abstracto.

Estúdio de Beethoven em 1827 por J.N. Hoechle. (imagem)

          Em 1801, Beethoven afirma não estar satisfeito com o que compôs até então, decidindo tomar um "novo caminho". Dois anos depois, em 1803, surge o grande fruto desse "novo caminho": a sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, apelidada de "Eroica", cuja dedicatória a Napoleão Bonaparte foi retirada com alguma polémica. A sinfonia Eroica era duas vezes mais longa que qualquer sinfonia escrita até então.

          Em 1808, surge a Sinfonia nº5 em Dó menor (sua tonalidade preferida), cujo famoso tema da abertura foi considerado por muitos como uma evidência da sua loucura.

          Em 1814, na segunda fase, Beethoven já era reconhecido como o maior compositor do século.

          Em 1824, surge a Sinfonia nº9 em Ré Menor. Pela primeira vez na história da música, é inserido um coral numa sinfonia, inserida a voz humana como exaltação dionisíaca da fraternidade universal, com o apelo à aliança entre as artes irmãs: a poesia e a música.

          Beethoven começou a compor música como nunca antes se houvera ouvido. A partir de Beethoven a música nunca mais foi a mesma. As suas composições eram criadas sem a preocupação em respeitar regras que, até então, eram seguidas. Considerado um poeta-músico, foi o primeiro romântico apaixonado pelo lirismo dramático e pela liberdade de expressão. Foi sempre condicionado pelo equilíbrio, pelo amor à natureza e pelos grandes ideais humanitários[carece de fontes]. Inaugura, portanto, a tradição de compositor livre, que escreve música para si, sem estar vinculado a um príncipe ou a um nobre. Hoje em dia muitos críticos o consideram como o maior compositor do século XIX, a quem se deve a inauguração do período Romântico, enquanto que outros o distinguem como um dos poucos homens que merecem a adjetivação de "gênio".


Curiosidades

Ludwig era canhoto e devido à sua tez morena e cabelos muito negros, tratavam-no de "o espanhol".

Dentre seus problemas de saúde, ficou com o rosto marcado pela varíola.

Otto Maria Carpeaux, na sua obra Uma Nova História da Música, afirma que Ludwig assistiu à primeira apresentação pública da sua 9ª Sinfonia, ao lado de Umlauf, que a regeu - como ficou registrado por Schindler e mais tarde por Grove -, mas abstraído na leitura da partitura, não pôde perceber que estava sendo ovacionado até que Umlauf, tocando no seu braço, voltou a sua atenção à sala, e então Beethoven inclinou-se diante do público que o aplaudia.

Hans von Bülow refere-se a Beethoven como um dos "três Bs da música" (os outros dois seriam Bach e Brahms), considerando as suas 32 sonatas para piano como o Novo Testamento da música.

Existem especulações históricas sobre um provável encontro entre Beethoven e Wolfgang Amadeus Mozart, mas não existe nenhum facto histórico que possa comprovar esta hipótese. No entanto, existem histórias de seu encontro, como por exemplo, uma que refere um Mozart absorto no seu trabalho, na composição de Don Giovani, que não terá tido tempo de lhe prestar a devida atenção. Uma outra, bem mais interessante, relaciona, não só o seu encontro, como o seu envolvimento, ao qual se refere a seguinte frase:


"Não o percam de vista, um dia há-de dar que falar." — Mozart, sobre Beethoven

Obras


Nove sinfonias, dentre elas a Nona, sua última sinfonia, a que mais se consagrou no mundo inteiro

Cinco concertos para piano

Concerto para violino

"Concerto Tríplice" para piano, violino, violoncelo e orquestra

32 sonatas para piano (ver abaixo relação completa das sonatas):

16 quartetos de cordas´

1 septeto de cordas para piano

Dez sonatas para violino e piano

Cinco sonatas para violoncelo e piano

Doze trios para piano, violino e violoncelo

"Bagatelas" (Klenigkeiten) para piano, entre as quais a famosíssima Bagatela para piano "Für Elise" ("Para Elisa")

 Missa em Dó Maior

Missa em Ré Maior ("Missa Solene")

Oratório "Christus am Ölberge", op. 85 ("Cristo no Monte das Oliveiras")

"Fantasia Coral", op. 80 para coro, piano e orquestra

 Aberturas

Danças

Ópera Fidelio

Canções



Sonatas de Beethoven Para Piano

1 - Sonata Op. 2, nº 1
2 - Sonata Op. 2, nº 2
3 - Sonata Op. 2, nº 3
4 - Sonata Op. 7
5 - Sonata Op. 10 n. 1
6 - Sonata Op. 10 n. 2
7 - Sonata Op. 10 n. 3
8 - Sonata Op. 13 (Patética)
9 - Sonata Op. 14 n. 1
10 - Sonata Op. 14 n.2
11 - Sonata Op. 22
12 - Sonata Op. 26 (Marcia Funebre)
13 - Sonata Op. 27 n. 1
14 - Sonata Op. 27 n. 2 (Ao Luar)
15 - Sonata Op. 28 (Pastorale)
16 - Sonata Op. 31 n. 1
17 - Sonata Op. 31 n. 2 (A Tempestade)
18 - Sonata Op. 31 n. 3
19 - Sonata Op. 49 n. 1
20 - Sonata Op. 49 n. 2
21 - Sonata Op. 53 (Waldstein)
22 - Sonata Op. 54 (a Thérèse)
23 - Sonata Op. 57 (Appassionata)
24 - Sonata Op. 78
25 - Sonata Op. 79
26 - Sonata Op. 81a (Les Adieux)
27 - Sonata Op. 90
28 - Sonata Op. 101
29 - Sonata Op. 106 (Hammerklavier)
30 - Sonata Op. 109
31 - Sonata Op. 110
32 - Sonata Op. 111







Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_van_Beethoven