Rossini para o Brasil



Largo al factotum - Thomas Hampson

 


          Um Barbeiro de Sevilha realmente cômico, visualmente fascinante e vocal e musicalmente atraente marcou no fim da semana passada a estreia, em Belo Horizonte, da primeira temporada da Cia. Brasileira de Ópera criada por John Neschling para percorrer o país, revitalizando um pouco um panorama lírico que anda meio parado.

          A ideia ocorreu ao maestro depois de deixar em 2009 a Orquestra Sinfônica de São Paulo, num momento em que, com o fechamento dos teatros municipais do Rio e de São Paulo para obras e uma série de outras circunstâncias pouco propícias, a vida operística nacional se arrasta tão acanhada, com as exceções de praxe (Manaus), que os cantores brasileiros que podem estão optando por deixar o país.

          Com sua primeira produção, que inova ao integrar um elaborado fundo de desenho animado ao dispositivo cênico, a Cia. Brasileira percorrerá até novembro quatorze outras cidades, com uma trupe de algo em torno de 200 artistas e técnicos. Depois da capital mineira, será a vez de Porto Alegre entre 30 de junho e 4 de julho, vindo depois Florianópolis, Curitiba, Manaus, Belém, João Pessoa, Brasília, Aracaju, Salvador, Recife, Santos, São Paulo, Ribeirão Preto e por fim o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, de 24 a 28 de novembro.

          A estreia quinta-feira passada no Palácio das Artes mineiro mostrou uma orquestra trabalhada com esmero por Neschling, apesar do tamanho um pouco desproporcional do espaço, para as dimensões rossinianas. No elenco, homogêneo sem brilho particular, destacavam-se o Conde Almaviva de Luciano Botelho, caprichoso nas vocalises, e a Rosina de Anna Pennisi, de timbre atraente e agudo límpido, além dos intérpretes dos personagens mais caracteristicamente cômicos, em especial o Basílio sonoro de Gianluca Breda.

          Do Fígaro de Leonardo Neiva, um dos cantores mais estimáveis da nova geração brasileira, fiquei com a impressão – depois de seu maravilhoso Ford no Falstaff de Verdi regido por Isaac Karabtchevsky na Osesp ano passado – que Rossini ainda pode ser aperfeiçoado em suas cordas e sua fibra de intérprete, por falta de uma certa cultura da ornamentação e do temperamento vocal próprio dessa música.

          A grande secação da montagem é a encenação, em que Pier Francesco Maestrini se vale da animação trabalhada com humor e incrível senso de timing por Joshua Held, colado na partitura e na movimentação dos intérpretes. Os cantores-atores interagem com o cenário e suas próprias personas e outras representações em versão animada. Os achados cômicos e de movimentação assim explorados, assim como a graça dos figurinos de Lorenzo Merlino, a beleza das cores e do traço de Held e o espírito de farsa inocente e despudorada encantam o tempo todo.

          Para o meu gosto, a movimentação visual distraiu um pouco mais que o desejável da música e da peripécia propriamente cênica. Mas além de facilitar o deslocamento da companhia Brasil afora, a ideia da animação é não só uma inovação que vai atrair novos públicos, como foi criada e posta em prática com deliciosa imaginação. Nas entrevistas, Neschling insiste em que não se trata de “popularizar” a ópera, o que teria uma conotação de nivelamento massificante, mas de “democratizar” o acesso. Saí do Palácio das Artes achando que as duas coisas estarão em pauta nessas quinze cidades brasileiras.


 Ficha técnica referente às etapas 1 e 2 da turnê.
 Cia. Brasileira de Ópera


José Roberto Walker
Direção Executiva

John Neschling
Direção Artística

Píer Francesco Maestrini
Concepção e Direção de Cena

Carlo Savi
Concepção Cenográfica

Abel Rocha
Diretor de Voz / Maestro Residente

Victor Hugo Toro
Diretor Artístico Assistente / Maestro Residente

Walter Neiva
Diretor de Cena Residente

Mauro Wrona
Diretor de Cena Residente

Lorenzo Merlino
Produção de Figurinos

Divina Suarez
Maquiagem e Perucas

Renato Theobaldo
Realização de Cenografia

Silvio Galvão
Realização de Adereços

Ana Helena Lefèvre
Produção

Equipe da etapa 1

– Belo Horizonte
– Porto Alegre

Cantores

Alessia Sparacio (Personagem: Rosina/Berta)

Anna Pennisi (Personagem: Rosina)

Emidio Guidotti (Personagem: Basílio)

Federico Lepre (Personagem: Conde d´Almaviva)

Federico Sanguinetti (Personagem: Fígaro)

Gianluca Breda (Personagem: Basílio)

Guilherme Rosa (Personagem: Fiorello / Ufficiale)

Luciano Botelho (Personagem: Conde d´Almaviva)

Luísa Kurtz (Personagem: Berta)

Pepes do Valle (Personagem: Bartolo)

Sebastião Teixeira (Personagem: Fígaro)

Leonardo Neiva (Personagem: Fígaro)

Orquestra

Evgueni Ratchev
Músico- Violinista spalla

Ricardo Menezes
Músico- Violinista

Willian Isaak
Músico- Violinista

Helena Imasato
Musicista- Violinista

Francisco Krug
Músico- Violinista

André Tai
Músico – Violinista

Yerko Tabilo
Músico- Violinista

David Gama
Músico- Violinista

Afonso Barros
Músico- Violinista

Matheus Souza
Músico- Violinista

Fábio Brucoli
Músico- Violinista

José Carlos Santos
Músico- Violista

Samuel Galvez
Músico- Violista

Natanael Fonseca
Músico- Violista

André Rodrigues
Músico- Violista

Ana Maria Chamorro
Musicista- Violoncelista

Mauro Brucoli
Músico- Violoncelista

Marcus Ribeiro
Músico- Violoncelista

Sérgio Oliveira
Músico-Contrabaixista

Waldir Bertipaglia
Músico- Contrabaixista

Marcelo Barboza
Músico- Flautista

Javier Balbinder
Músico- Oboísta

Marisa Takano Lui
Musicista- Clarinetista

Otinilo Pacheco
Músico- Clarinetista

Marcus Fokin
Músico- Fagotista

Stanislav Shulz
Músico -Trompista

Mário Rocha
Músico- Trompista

Marcos Motta
Músico- Trompetista

Carlos Morejano
Músico- Pianista

Paulo Almeida
Músico Pianista

Etapa 2
- Florianópolis
- Curitiba
- Manaus
- Belém

Cantores

Alessia Sparacio (Personagem: Rosina/Berta)

Emidio Guidotti (Personagem: Basílio)

Federico Lepre (Personagem: Conde d´Almaviva)

Federico Sanguinetti (Personagem: Fígaro)

Carlos Eduardo Marcos (Personagem: Basílio)

Edna D´Oliveira (Personagem: Berta)

Guilherme Rosa (Personagem: Fiorello/Ufficiale)

André Vidal (Personagem: Conde d´Almaviva)

Anna Smiech (Personagem: Berta)

Manuel Alvarez (Personagem: Bartolo)

Leonardo Neiva (Personagem: Fígaro)

Orquestra

Willian Isaak
Músico- Violinista

Helena Imasato
Musicista- Violinista

Paulo Vieira
Músico- Violinista

João Meneses
Músico- Violinista

Francisco Krug
Músico- Violinista

André Tai
Músico – Violinista

David Gama
Músico- Violinista

Felipe Prazeres
Músico-Violinista

Caroline Bismarchi
Músico- Violinista

Helena Picazio
Músico-Violinista

Angelo Del Horto
Músico- Violinista

Samuel Galvez
Músico- Violista

Eric Liciardi
Músico- Violista

André Rodrigues
Músico- Violista

Bruno de Luna
Músico- Violista

Fred Pot
Músico- Violoncelista

Sanderson Paz
Músico-Contrabaixista

Lucas Robato
Músico- Flautista

Pedro Robato
Músico- Clarinetista

Waldir Bertipaglia
Músico- Contrabaixista

Sérgio Wontroba
Músico- Clarinetista

Javier Balbinder
Músico- Oboísta

Marisa Takano Lui
Musicista- Clarinetista

Josely Robato
Musicista- Trompista

Marcus Fokin
Músico- Fagotista

Wellington Luis
Músico- Trompista

Heiz Schwebel
Músico- Trompetista

Carlos Morejano
Músico- Pianista

Paulo Almeida
Músico Pianista





Edição: Clóvis Marques






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